27/07/2013, Comentários: Comments Off

Meu nome é Barbra Randazzo, tenho 19 anos. Em junho do ano passado eu embarquei em mais uma aventura da minha vida, eu anteriormente já tinha ido para a Nova Zelândia fazer intercâmbio de High School por 1 ano, a realização de um dos meus sonhos que era estudar confeitaria.

Eu escolhi ir para a Le Cordon Bleu que é uma escola muito bem reconhecida e uma das melhores hoje no mercado. Acabei escolhendo ir para o campus de Ottawa, Canadá por ser um lugar em que eu nunca tinha ido. Por mais que eu já tenha feito intercâmbio antes nada me preparou para o que iria acontecer.

Lá eu morei em uma casa estudantil perto da escola, especifico com pessoas que estudam na escola. Quando eu cheguei a casa era dirigida por uma pessoa que era apaixonada pela casa e pela culinária, ela já tinha terminado os cursos de confeitaria e de gastronomia na escola. Durante o tempo que ela estudava na escola, ela morava nessa casa, que antes era aberta para estudantes tanto da LCB quanto estudantes da faculdade local. Depois de terminado o curso, ela que se apaixonou pelo local acabou comprando a casa, reformando-a, e a transformando em uma casa própria para alunos de uma escola como a Le Cordon Bleu.

Para que eu pudesse pegar uma vaga nessa casa eu tive que me inscrever 1 ano antes do começo do curso. O que foi muito triste é que depois de 3 meses morando na casa, essa pessoa que antes dirigia, vendeu a casa e voltou para a Califórnia, sua cidade natal. E a pessoa que comprou a casa não cuidava dela do mesmo jeito que a anterior.

O curso de confeitaria na escola dura no total 9 meses, divididos em 3 módulos de 3 meses cada.

O primeiro módulo é o Básico. No começo eu estava muito assustada de tudo, encantada, nas primeiras aulas eu estava muito nervosa. Logo de cara o Chef me pediu para ter calma, não me estressar e confiar em mim mesma. Esse problema de confiar em mim mesma se estendeu até o final do curso, os 3 chefs que eu tive me falavam isso. No básico você aprende cremes, massas, e só depois de entender os componentes de um bolo separado você começa a “montar” os bolos com os componentes aprendidos anteriormente. E tudo feito no básico era feito a mão, sem batedeira e sem termômetro. Nós aprendemos a fazer o tão famoso croissant francês, brioche, entre outras delicias francesas.

No final de cada módulo, nós tínhamos um exame escrito e pratico para poder passar para o próximo nível. Os chefs liberavam uma lista com 10 a 12 receitas que nós tínhamos que aprender, e saber toda ela, dentre essas eles escolhiam algumas para a escrita, em que nós tínhamos que escrever a receita inteira sem erros, e 3 ou 4 para a pratica, em que nós recebiam as receitas sem o modo de fazer, e deveríamos fazer o bolo em um tempo determinado, sem erros. No básico eram 2 horas e meia para terminar o bolo. No meu exame eu acabei cortando o meu dedo, fiquei um bom tempo sangrando, quase desmaiei. Foi complicado, mas consegui terminar o bolo a tempo.

No final do básico nós tivemos a festa de graduação; a cada nível que você termina tem uma graduação.

Antes de começar o intermediário nós tivemos 1 mês de férias, em que eu e a minha amiga russa passamos quase todos os dias nos voluntariando na escola. O que foi uma oportunidade maravilhosa de ficar mais próxima dos chefs e de aprender.

O intermediário foi bem complicado, e quando eu comecei o intermediário a casa que eu morava passava pela transição de dono novo, e muitas pessoas novas. Finalmente eu tinha uma brasileira junto comigo.

Os bolos, os petit fours, e tudo que foi feito no intermediário exigiam muita rapidez e agilidade. Nós agora podíamos usar batedeira e termômetro, mas o nível de dificuldade aumentou muito.

No começo foi bem complicado terminar os bolos, temperar chocolate, e fazer decoração a tempo. Além de bolos, no intermediário nós aprendemos a mexer com chocolate e a como fazer decoração de pratos.

Mesmo depois de muito stress que o intermediário me fez passar o meu exame foi muito bom, e eu fiquei muito feliz com o meu bolo final.

Do intermediário para o superior nós tivemos 2 semanas de folga, nesse tempo a minha grande amiga russa foi embora, foi muito triste ver ela ir embora, e depois de 6 meses sem ver os meus pais a gente se encontrou nos EUA. O que recarregou as minhas baterias para o ultimo modulo.

O superior é de longe o que mais requer imaginação. Desde o começo todos os bolos que nós tivemos que fazer tinha que ter uma decoração, e uma plated dessert, as aulas praticas tinham agora 5 horas e não 2 horas e meia como antes. Nós nas primeiras aulas tínhamos que fazer 2 bolos por aula pratica. Depois dos bolos, nós aprendemos a fazer escultura de chocolate, e mexer com bombons de chocolate.

E o mais complicado foi mexer com açúcar, nós aprendemos a fazer flor, entre outras decorações e no final de tudo nós tivemos o exame de açúcar em que teríamos que fazer em 5 horas uma escultura de açúcar.

O mais complicado é que é muito quente, e tem que ter muita habilidade para que fique bonito.

Foi uma experiência muito legal. Nós ainda aprendemos a fazer escultura de gelo, e na fruta! A ultima aula pratica é muito interessante, nós imitamos uma confeitaria de verdade, recebemos pedido de “clientes” e especificações de alergia, ou algo do tipo, então com elas nós tivemos que ajustar a receita, e durante o processo o chef aparecia com alguma coisa que nós teríamos que adaptar, por exemplo, a quantidade de convidados aumentarem ou diminuir.

O exame do superior não tinha parte escrita, apenas parte pratica, que no caso não foi fácil nem um pouco, e ainda tem aquela pressão de nós sermos alunos do superior e fazer algo fora do comum. Para o exame nós tivemos 5 horas no total para fazer um bolo, plated dessert, e dois tipos de chocolate.

A pior parte de tudo isso foi dizer tchau para essa experiência maravilhosa.

A ultima graduação foi muito especial, o meu chef que normalmente não fala muita coisa, na nossa graduação levou um discurso para contar coisas que se passaram com a gente. A minha mãe veio até o Canadá especialmente para viver comigo esse ultimo momento por lá.
Foi tudo muito mais do que eu imaginava, a saudades de tudo que eu passei por lá é gigante. O que eu aprendi com os chefs é algo que palavras não descrevem.

A dor no coração de ir embora foi muito grande.